Uma vitória para a prevenção: o número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) deu um salto significativo na última década. Segundo dados da campanha Março Azul, a busca por diagnósticos preventivos triplicou, refletindo uma maior conscientização da população brasileira.
Crescimento expressivo nos diagnósticos
O levantamento aponta que, entre 2016 e 2025, os dois principais exames de rastreio registraram altas históricas na rede pública:
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes: Saltou de 1,1 milhão para mais de 3,3 milhões de exames (alta de 190%).
- Colonoscopias: Subiram de 261 mil para quase 640 mil procedimentos anuais (avanço de 145%).
No último ano, o estado de São Paulo liderou o volume de exames de sangue oculto (1,1 milhão), seguido por Minas Gerais e Santa Catarina. No Norte, estados como Amapá, Acre e Roraima ainda registram os menores índices, acendendo um alerta para a necessidade de expansão das políticas de saúde nessas regiões.
O “Efeito Preta Gil” e a voz das celebridades
Especialistas apontam que a exposição de casos reais na mídia foi um divisor de águas. O presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux, destaca que o diagnóstico e a luta da cantora Preta Gil (entre 2023 e 2025) coincidiram com um aumento de até 23% na realização de colonoscopias no SUS.
“Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite ajudaram a transformar a dor em alerta. Cada depoimento funciona como um lembrete de que a chance de cura é muito maior quando a doença é descoberta cedo”, afirma o médico.
Desafios para o futuro
Apesar dos números positivos, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) alerta que as mortes prematuras (antes dos 70 anos) por câncer de intestino podem aumentar até 2030. Os motivos incluem:
- Envelhecimento da população;
- Aumento da incidência entre jovens;
- Diagnóstico tardio em muitas regiões.
Sobre a Campanha
O Março Azul é uma iniciativa conjunta da Sobed, da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). O objetivo é transformar o medo em atitude, incentivando pessoas a não adiarem a investigação de sintomas e a buscarem exames de rotina a partir da idade recomendada.
Com informações de Paula Laboissière – Agência Brasil


